Deputada Rachel MarquesDeputada Estadual Rachel Marques

Artigos

14/07/2017 | Assessoria de imprensa

A resistência feminina no Senado

A resistência feminina no Senado

A resistência feminina no Senado
Foram as senadoras que estiveram no embate do corpo a corpo e ocuparam a mesa do Senado contra a reforma trabalhista

Por Naiara Bittencourt

Durante votação da reforma trabalhista no Senado Federal, senadoras oposicionistas ocuparam a mesa do plenário e tentaram barrar a votação / Lula Marques
Levantar, trabalhar, deitar. Trabalhar fora e dentro de casa, quase ininterruptamente. Fazer duas ou três jornadas para alimentar a si e família. Ganhar menos para a mesma função. Ocupar os piores e mais precários postos de trabalho. Com a reforma trabalhista aprovada na última terça-feira (11), este panorama de desigualdade no mercado de trabalho para as mulheres está longe de ser alterado.

Prevalência dos acordos sobre o estabelecido em lei; trabalhar por períodos esparsos com jornadas e salário reduzidos (o chamado trabalho intermitente); o trabalho de gestantes em locais insalubres; as limitações para o acesso Justiça do trabalho, são apenas algumas das mudanças na atual legislação. Em resumo: trabalhar mais, receber menos. Com as políticas públicas construídas na última década – hoje praticamente destruídas – a projeção para atingirmos a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho era de 75 anos. A reforma aprovada somente prorroga tal prazo, precarizando as relações de trabalho no Brasil, já que 41% das mulheres brasileiras são pobres ou miseráveis, recebendo até um salário mínimo.

Mesmo assim, há resistência. Se no cotidiano da labuta as mulheres resistem e sobrevivem, chefiando quase 40% dos lares brasileiros. No alto poder legislativo nacional, foram as senadoras que, mesmo sendo somente 14% da casa, estiveram no embate do corpo a corpo e ocuparam a mesa reivindicando simbolicamente aquele espaço que lhes foi negado. As luzes foram apagadas, o banheiro feminino fechado, a sessão interrompida. Não era aquela ação das senadoras que barraria a aprovação, já arquitetada e articulada. O que se mostrou foi resistência, força e poder. O demarcar da posição de ocupar todos os espaços negados. E é só com resistência que se avança, no choque do cotidiano ao poder institucional.

*Naiara Bittencourt é advogada popular e militante da Marcha Mundial das Mulheres

Fotos: Lula Marques

Edição: Ednubia Ghisi